Na verdade, cada um de nós poderia, se o quisesse, comunicar-se a qualquer hora com o mundo invisível. Somos espíritos: pela vontade, podemos comandar a matéria e libertar-nos de seus elos, para viver em uma esfera mais livre, a esfera da vida superconsciente. Para tanto, uma coisa é necessária: espiritualizar-nos, voltarmos à vida de espírito, através de uma concentração perfeita de nossas forças interiores. Então, vemo-nos diante de tal ordem de coisas que nem o instinto, nem a experiência, nem mesmo a razão, podem captar.
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A consciência. O sentido íntimo
Na verdade, cada um de nós poderia, se o quisesse, comunicar-se a qualquer hora com o mundo invisível. Somos espíritos: pela vontade, podemos comandar a matéria e libertar-nos de seus elos, para viver em uma esfera mais livre, a esfera da vida superconsciente. Para tanto, uma coisa é necessária: espiritualizar-nos, voltarmos à vida de espírito, através de uma concentração perfeita de nossas forças interiores. Então, vemo-nos diante de tal ordem de coisas que nem o instinto, nem a experiência, nem mesmo a razão, podem captar.
A disciplina do pensamento e a reforma do caráter
É bom viver em contato, pelo pensamento, com os escritores de gênio, com os autores verdadeiramente grandes de todos os tempos e de todos os países, lendo, meditando sobre suas obras, impregnando todo nosso ser com a substância de sua alma. As irradiações de seus pensamentos despertarão em nós efeitos semelhantes e produzirão, paulatinamente, modificações de nosso caráter, pela própria natureza das impressões experimentadas.
Paciência e bondade
Se o orgulho é o pai de uma multidão de vícios, a caridade gera muitas virtudes. Desta derivam a paciência, a doçura, a reserva nas intenções. É fácil para o homem caridoso ser paciente e doce, perdoar as ofensas que lhes são feitas. A misericórdia é companheira da bondade. Uma alma elevada não pode conhecer o ódio, nem praticar a vingança. Ela plana acima dos mesquinhos rancores: é do alto que observa as coisas. Compreendendo que os erros dos homens são apenas o resultado de sua ignorância, não concebe nem amargor, nem ressentimento. Sabe que perdoar, esquecer os erros do próximo, é anular qualquer gérmen de inimizade, é apagar toda causa de discórdia no futuro, tanto na Terra quanto na vida do Espaço.
A crise moral
Cada dia, a desesperança causa novamente devastações: o número de suicidas que, em 1820, era de mil e quinhentos, na França, é agora de mais de oito mil. Oito mil seres, a cada ano, desertam das lutas fecundas da vida por falta de energia e de senso moral e se refugiam no que acreditam ser o nada! O número dos crimes e delitos triplicou há cinquenta anos. Entre os condenados, a proporção dos adolescentes é considerável. É preciso ver nesse estado de coisas os efeitos do contágio do meio, dos maus exemplos recebidos desde a infância, a ausência de firmeza dos pais e a falta de educação na família? Há tudo isso, e mais ainda.
Resignação na adversidade
Enfim, o caminho das provações foi percorrido; o justo sente que o fim está próximo. As coisas da Terra enfraquecem-se dia a dia a seus olhos. O Sol parece-lhe pálido, as flores incolores, o caminho pedregoso. Cheio de confiança, vê aproximar-se a morte. Não será a calmaria após a tempestade, o porto depois da travessia tempestuosa?
A educação
É através da educação que as gerações se transformam e se aperfeiçoam. Para se ter uma sociedade nova é preciso homens novos. Por isso, a educação, desde a infância, é de uma importância capital.
Não basta ensinar à criança os elementos da Ciência. Tão essencial quanto saber ler, escrever, calcular, é ensinar a governar-se, a conduzir-se como ser racional e consciente; é entrar na vida, armado não apenas para a luta material, mas sobretudo para a luta moral. Ora, é com isso que menos se ocupa.
A Prece
“Meu Deus, tu que és grande, tu que és tudo, deixa cair sobre mim, pequeno, sobre mim que só existo porque tu o quiseste, um raio de luz. Faz com que, invadido pelo teu amor, eu ache o bem fácil, o mal odioso; que animado pelo desejo de agradar-te, meu espírito supere os obstáculos que se opõem ao triunfo da verdade sobre o erro, da fraternidade sobre o egoísmo; faz com que, em cada companheiro de provação, eu veja um irmão, como tu vês um filho em cada um dos seres que emanam de ti e devem retornar a ti. Dá-me o amor pelo trabalho, que é o dever de todos na Terra e, com a ajuda da tocha que colocaste ao meu alcance, esclarece-me sobre as imperfeições que retardam meu adiantamento nessa vida e na outra.”
Livre Arbítrio
O livre-arbítrio, a livre vontade do espírito se exercem, sobretudo, na hora das reencarnações. Escolhendo tal família, tal meio social, sabe de antemão quais são as provas que o esperam, mas compreende, igualmente, a necessidade destas provas para desenvolver suas qualidades, atenuar seus defeitos, despojá-lo de seus preconceitos e de seus vícios. Estas provas podem ser, também, a consequência de um passado nefasto que ele deve reparar, e as aceita com resignação, com confiança, pois sabe que seus grandes irmãos do Espaço não o abandonarão, nas horas difíceis.
Fé, esperança, consolação
Quando a velhice gelada avança, colocando seu estigma sobre nossa testa, apagando nossos olhos, enrijecendo nossos membros, curvando-nos sob nosso peso, vêm então com ela a tristeza, o desgosto de tudo e a grande sensação de fadiga, uma necessidade de repouso, como uma sede do nada. Oh! Nessa hora de perturbação, nesse crepúsculo da vida, como satisfaz e reconforta, a pequena luz que brilha na alma do crente, a fé no futuro infinito, a fé na Justiça, na Suprema Bondade!
O amor
Toda a potência da alma resume-se em três palavras: querer, saber, amar!
Querer, isto é, fazer convergir toda a sua atividade, toda a sua energia, para o objetivo a alcançar; desenvolver sua vontade e aprender a dirigi-la.
Saber, porque, sem o estudo aprofundado, sem o conhecimento das coisas e das leis, o pensamento e a vontade podem perder-se, em meio às forças que eles tentam conquistar e aos elementos que aspiram a comandar.
Questões Sociais
As questões sociais preocupam vivamente nossa época. Percebe-se que os progressos da civilização, o crescimento enorme do poder produtivo e da riqueza, o desenvolvimento da instrução não têm podido extinguir o pauperismo, nem curar os males do maior número. Entretanto, os sentimentos generosos e humanitários não foram extintos. No coração das multidões aninham- se instintivas aspirações para a justiça, como o sentimento vago de uma sociedade melhor. Compreende-se, geralmente, que uma repartição mais equitativa dos bens da vida é necessária.
A Lei dos destinos
Todas estas considerações o demonstram: para assegurar a depuração fluídica e o bom estado moral do ser, tem- se que estabelecer uma disciplina do pensamento, promover uma higienização da alma, como é preciso observar uma higiene física para manter a saúde do corpo.
O estudo
O estudo é a fonte de suaves e nobres prazeres; liberta-nos das preocupações vulgares e nos faz esquecer as tribulações da vida. O livro é um amigo sincero, bem-vindo tanto nos dias felizes quanto nos dias ruins. Referimo-nos ao livro sério, útil, que instrui, consola, anima e não ao livro frívolo que diverte e, com frequência, desmoraliza. Não nos compenetramos o bastante sobre o verdadeiro caráter do bom livro. É como uma voz que nos fala através dos tempos e relatando-nos os trabalhos, as lutas, as descobertas daqueles que nos precederam no caminho da vida e, em nosso proveito, aplainaram as asperezas.
A Revelação pela dor
A dor não atinge somente os culpados. Em nosso mundo, o homem honesto sofre tanto quanto o mau. E isto se explica. Primeiramente, a alma virtuosa, sendo mais evoluída, é mais sensível. Além disso, muitas vezes, ama e procura a dor, reconhecendo todo o seu valor.
Entre estas almas, algumas há, ainda, que não vêm cá embaixo para outra coisa senão dar a todos o exemplo da grandeza no sofrimento. São missionárias, elas também, e sua missão não é menos bela e tocante que a dos grandes reveladores.
Disciplina do Pensamento e Reforma do Caráter
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| Disciplina do Pensamento e Reforma do Caráter |
Enfim, é preciso saber suportar todas as coisas com paciência e serenidade. Quaisquer que sejam os procedimentos de nossos semelhantes, com relação a nós, não devemos nutrir, contra eles, animosidade alguma, ressentimento algum, mas, ao contrário, fazer com que todas as causas de aborrecimento ou de aflição sirvam à nossa própria educação moral. Nada poderia nos atingir, se, em nossas vidas anteriores e culposas, não tivéssemos dado margem à adversidade. Eis o que precisamos nos dizer continuamente. Assim, conseguiremos aceitar, sem amargura, todas as provas, considerando-as como uma reparação do passado ou como um meio de aperfeiçoamento.
De degrau em degrau, atingiremos, assim, esta paz de espírito, este domínio de nós mesmos, esta confiança absoluta no porvir, que dão a força, a quietude, a satisfação íntima e permitem que nos mantenhamos firmes, em meio às mais duras vicissitudes.
O Pensamento
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| O Pensamento |
Ó escritores, ó artistas, ó poetas! Vós, que sois mais numerosos a cada dia; vós, cujas produções se multiplicam e crescem, como uma onda que se eleva, produções muitas vezes belas, na forma, mas fracas, no fundo, superficiais e materiais, quanto talento não despendeis por causas medíocres!
Quantos esforços desperdiçados ou postos a serviço de paixões doentias, de volúpias inferiores e interesses vis!
Enquanto vastos e magníficos horizontes se desdobram, enquanto o livro maravilhoso do Universo e da alma se abre, grandioso, diante de vós e enquanto o gênio do pensamento vos convida para nobres tarefas, para obras cheias de substância, fecundas para o adiantamento da Humanidade, frequentemente, vós vos comprazeis em pueris e estéreis estudos em que a consciência se debilita, a inteligência se prostra e se enlanguesce, no culto exagerado dos sentidos e dos instintos impuros.
Quem de vós vai narrar a epopeia da alma, lutando pela conquista de seus destinos, no ciclo imenso das eras e dos mundos; suas dores e suas alegrias, suas quedas e seus reerguimentos, a descida aos abismos da vida, os voos em direção à luz, os sacrifícios, os holocaustos que são um resgate, as missões redentoras, a participação crescente das concepções divinas?
A Consciência, o Sentido Íntimo
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| A Consciência, o Sentido Íntimo |
A consciência é, portanto, como diz W. James, o centro da personalidade, centro permanente, indestrutível, que persiste e se mantém, através de todas as transformações do indivíduo. A consciência é não só a faculdade de perceber, mas também o sentimento que temos de viver, de agir, de pensar, de querer. Ela é una e indivisível. A pluralidade de seus estados nada prova, como vimos, contra essa unidade. Estes estados são sucessivos, como as percepções que a eles se ligam e, não, simultâneos. Para demonstrar que existem, em nós, vários centros autônomos de consciência, ter-se-ia de provar também que há ações e percepções simultâneas e diferentes; mas isto não é assim, nem pode ser.
Paciência e Bondade
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| Paciência e Bondade |
Se o orgulho é o pai de uma multidão de vícios, a caridade gera muitas virtudes. Desta derivam a paciência, a doçura, a reserva nas intenções. É fácil para o homem caridoso ser paciente e doce, perdoar as ofensas que lhes são feitas. A misericórdia é companheira da bondade. Uma alma elevada não pode conhecer o ódio, nem praticar a vingança. Ela plana acima dos mesquinhos rancores: é do alto que observa as coisas. Compreendendo que os erros dos homens são apenas o resultado de sua ignorância, não concebe nem amargor, nem ressentimento. Sabe que perdoar, esquecer os erros do próximo, é anular qualquer gérmen de inimizade, é apagar toda causa de discórdia no futuro, tanto na Terra quanto na vida do Espaço.
A caridade, a mansuetude, o perdão das injúrias tornam-nos invulneráveis, insensíveis às baixezas e às perfídias. Provocam nosso desligamento progressivo das vaidades terrestres e habituam-nos a dirigir nosso olhar para as coisas que a decepção não pode atingir.
Doutrina Consoladora
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| Doutrina Consoladora |
Assim, o Espiritismo proporciona o que Jesus disse sobre o consolador prometido: conhecimento dos fatos(...) retorno aos verdadeiros princípios da Lei de Deus, e consolação pela fé e pela esperança. (Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VI, item 4, último parágrafo.)
O homem é um ser progressista(…) Progredir é sua missão na Terra, é seu maior dever. (Léon Denis. O Progresso, cap. I.)
Conforta-nos saber que esta Instituição mantém o trabalho evocativo dos mortos. Eles estão presentes, sempre, nunca ausentes de todos os que lhes buscam a mensagem de apoio e paz.
Já Allan Kardec ensinava que a vida continua, na conceituação firme do fato e na clara evidência da comunicação.
Na Doutrina Espírita há dois conceitos elucidativos: o da sobrevivência da alma e o da comunicação dos espíritos.
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