A Lei dos destinos



Todas estas considerações o demonstram: para assegurar a depuração fluídica e o bom estado moral do ser, tem- se que estabelecer uma disciplina do pensamento, promover uma higienização da alma, como é preciso observar uma higiene física para manter a saúde do corpo.

De acordo com esta ação constante do pensamento e da vontade sobre o perispírito, vê-se que a retribuição é absolutamente perfeita. Cada um colhe o fruto imperecível de suas obras passadas e presentes. E o colhe, não pelo efeito de uma causa exterior, mas por um encadeamento que liga, em nós mesmos, a aflição à alegria, o esforço ao sucesso, a falta ao castigo. É, pois, na intimidade secreta de nossos pensamentos e na flagrante exterioridade de nossos atos, que se deve procurar a causa eficiente de nossa situação presente e futura.

Somos colocados, segundo nossos méritos, no meio de onde nossos antecedentes nos chamam. Se nos encontramos infelizes, é porque não estamos bastante perfeitos, para desfrutar de uma sorte melhor. Mas, nosso destino melhorará, quando soubermos fazer nascer, em nós, mais desinteresse, mais justiça, mais amor. O ser tem de aperfeiçoar, embelezar incessantemente sua natureza íntima, aumentar seu mérito pessoal, construir o edifício de sua consciência: tal é o objetivo de sua evolução.



Do livro: O Problema do Ser e do Destino. CELD.
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