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Médiuns na Terra

Imagem de pessoas sentadas `mesa em seção mediúnica de psicografia

Tema sempre novo em Doutrina Espírita: os médiuns.

São comparáveis às árvores na criteriosa definição de Allan Kardec, entretanto, a fim de conservarmos árvores úteis, é imperioso saibamos proporcionar-lhes a necessária irrigação e a defesa justa, de modo a que aventureiros do caminho não lhes colham os frutos em regime de espancamento.

Recorramos a outros símbolos.

Ser Médium

Abraçando a mediunidade, muitos companheiros na Terra adotam posição de absoluta expectativa, copiando a Inércia dos manequins.

Concentram-se mentalmente e aguardam, imóveis, nulificados, a manifestação dos Espíritos Superiores, esquecendo-se de que o verdadeiro servidor assume sempre a iniciativa da gentileza, na mais comezinha atividade doméstica.

Vejamos a lógica do cotidiano.


Um diretor de escritório não exigirá que o auxiliar se faça enciclopédia 
humana, a fim de receber-lhe a cooperação; mas solicita seja ele uma criatura ordeira e laboriosa, com a necessária experiência em assuntos de escrita.

Um médico não reclamará do enfermeiro uma certidão de grandeza moral para aceitar-lhe o concurso; no entanto, contará seja ele pessoa operosa e sensata, com a precisa dedicação aos doentes.

O proprietário de um ônibus não se servirá da atenção do farmacêutico, em sua oficina; mas procurará um motorista, que não apenas saiba manobrar o volante, mas que o ajude também a conservar o carro.

Espiritismo e Eutanásia


(...) O materialismo, não admitindo a existência da alma, 
erigiu o falso conceito, essencialmente egoísta, das chamadas “vidas inúteis”, eliminando-as, friamente, por considerá-las onerosas à sociedade.

Podem chover argumentos em favor da eutanásia, o que não impede, à luz redentora do Espiritismo, sejam os seus responsáveis assassinos que a Justiça do mundo nem sempre pune, mas que a de Deus registra, identificando-os na contabilidade divina, com, vistas a dolorosos resgates, em amargas expiações no futuro, atenuadas, ou agravadas, pela Lei, segundo as suas motivações.

Excesso


Enquanto a criatura permanecer no corpo terrestre, é natural 
que se preocupe com o problema da própria manutenção.

Vigilância não exclui previdência.

Mas não podemos olvidar que o apego ao supérfluo será sempre introdução à loucura.

Tudo aquilo que o homem ajunta abusivamente, no campo exterior, é motivo para aflição ou inutilidade.

Patrimônios físicos sem proveito, isca de sombra atraindo inveja e discórdia.

Finalidade


A finalidade da mediunidade é a edificação espiritual das 
criaturas.

A mediunidade não pode ser reduzida ao mero instrumento de curiosidade doentia.

Os médiuns que se prestarem a especulações de caráter inferior estarão se desviando de seu nobre objetivo.

Incursões na vida pretérita e previsões quanto ao futuro das pessoas não dizem respeito à mediunidade espírita-cristã.

No bem de todos


Encarna-se e reencarna-se o Espírito na Terra, a fim de aperfeiçoar-se no rumo das Estâncias Superiores do Universo.

Não te encarceres, assim, nos tormentos do supérfluo que a avareza retém, como sendo recurso indispensável à vida, na cegueira com que inventa fantasiosas necessidades.

O dono do pomar não correrá dos frutos senão a quota compatível com os recursos do estômago.

O atacadista de algodão vestirá uma camisa de cada vez.

No campo das provas


A vida na Terra pode ser comparada a campo imenso de provas em que cada espírito ingressa, procurando o triunfo em si próprio, na pauta dos valores de que não prescinde na imortalidade vitoriosa.

É assim que não há berços iguais para os que abordam a enorme arena de nossas antigas lutas.

Cada coração recolhe a valiosa oportunidade da experiência no lugar e no clima que digam respeito às suas justas necessidades.

Mediunidade a desenvolver



Mediunidade a desenvolver: tema constante nas atividades espíritas.

Para explicar, no entanto, o que vem a ser isso, enfileiremos o mínimo de palavras, recorrendo aos esclarecimentos vivos do trabalho e do estudo.

Alguém chega à oficina, pedindo emprego.

Precisa garantir a subsistência.

Obtém lugar e acolhida.

Mas se espera, durante dias e dias, que os diretores da organização lhe arrebatem a cabeça e as mãos, movimentando as à força, para o dever que lhe cabe, sem a menor iniciativa, seja no transporte de fardo humilde ou no manejo da escova para auxiliar na limpeza, acabará sempre sob as vistas dos orientadores da obra que encontrarão motivos para agradecer-lhe a presença e conferir-lhe substituto.

Diante do trabalho



Nunca é demais qualquer referência ao trabalho, fator de evolução e burilamento. Nele, a herança de amor com a qual o espírito se refaz para a jornada renovadora, em direção aos objetivos supremos da vida. Para conhecer-lhe, porém, a sabedoria de orientador da felicidade, é preciso crer nele e aderir-lhe ao programa de esforço criativo, penetrando-lhe as
qualidades positivas de dissolvente das nossas velhas imperfeições. (...)

Obrigação primeiramente



Faze da mediunidade o instrumento com que possas desferir, entre as criaturas irmãs, o teu hino de amor. Entretanto, não lhe situes os acordes em leilão.

Quanto o Sol, que não negocia com a própria luz, o Espírito não mercadeja com os próprios sentimentos.

Oração e provação



A oração não suprime, de imediato, os quadros da provação, mas renova-nos o espírito, a fim de que venhamos a sublimá-los ou removê-los.

Repara o caminho que a névoa amortalha, quando a noite escura te distancia do Sol.

Em cima, nuvens extensas furtam-te aos olhos o painel das estrelas e, em baixo, espinheiros e precipícios ameaçam-te os pés.

Debalde, consultarás a bússola que a treva densa embacia.

Aptidão e experiência



Queres ouvir os desencarnados, de maneira correta.

Aspiras a enxergar nos reinos do espírito, sem nenhuma ilusão.

Pretendes cultivar o intercâmbio medianímico, sem leve tisna de engano.

Estendes os braços e esperas por sublimes demonstrações.

Contudo, entre aptidão e experiência há sempre distância igual àquela que existe entre projeto e realidade.

Quando o erro apareça



Surge, comumente, para todos nós o instante de reconsideração dos próprios erros, em que bastas vezes experimentamos dolorosa impressão de autofalência. (...)

Revoltados contra nós mesmos, ensaiamos escapatórias diversas e asseveramos, desencantados:

– Trabalhei quanto pude...

Homens de fé




Os grandes pregadores do Evangelho sempre foram interpretados à conta de expressões máximas do Cristianismo, na galeria dos tipos veneráveis da fé; entretanto, isso somente aconteceu quando os instrumentos da verdade, efetivamente, não olvidaram a vigilância indispensável ao justo testemunho.

Colaboração



Em sua condição de movimento renovador das consciências, a Nova Revelação vem despertar o homem para o lugar determinado que a Providência lhe confere, esclarecendo-o, acima de tudo, de que o egoísmo, filho da ignorância e responsável pelos desvarios da alma, é perigosa ilusão. Trazendo-nos a chave dos princípios religiosos, vem compelir-nos à observância das leis mais simples da vida, revelando-nos o impositivo de colaboração a que não conseguiremos fugir.

A vida, pródiga de sabedoria em toda parte, demonstra o princípio da cooperação, em todos os seus planos. (...)

Um pão singelo é gloriosa síntese do trabalho de equipe da natureza. Sem as lides da sementeira, sem as dádivas do Sol, sem as bênçãos da chuva, sem a defesa contra os adversários da lavoura, sem a assistência do homem, sem o concurso do moinho e sem o auxílio do forno, o pão amigo deixaria de existir.

Intuição


Sempre que te disponhas à tarefa de servir, na mediunidade, és alguém interpretando alguém, junto de alguém. 

Vaso em que se transporte a mensagem do Amor Infinito para os caminhantes da Terra, deixa que a compaixão seja em tua alma o fixador do divino auxilio.

Contempla os sofredores que te procuram, por mais desarvorados, na categoria de irmãos que trazem na própria dor o sinal da altura a que não puderam chegar. 

Diante de todos aqueles que o mundo reprova, pensa no supremo esforço que fizeram para serem bons, sem que pudessem atingir o ideal a que se propunham. 

A faculdade da cura




A faculdade de curar, para manter-se íntegra, não deve permanecer precavida tão somente contra o pagamento em dinheiro amoedado.

Há outras gratificações negativas a que lhe cabe renunciar, a fim de que não seja corroída por paixões arrazoadas que começam nos primeiros sinais de personalismo excessivo. Imprescindível saber olvidar o vinho venenoso da bajulação, a propaganda jactanciosa, o perigoso elixir da lisonja e a aprovação alheia como paga espiritual. Quem se proponha a auxiliar aos enfermos, há que saber respirar no convívio da humildade sincera, equilibrando-se, cada instante, na determinação de servir.

Problemas




Nossos problemas nem sempre são tão grandes quanto a nossa incapacidade de nos desfazermos deles.

Qualquer dificuldade se nos agiganta na imaginação, porque nos habituamos à excessiva inquietude em torno dela; sem dúvida, é forçoso criar clima propício à solução pacífica e edificante de crises que surjam e para isso justamente é que necessitamos cultivar serenidade e entendimento.

Reflitamos nos problemas cotidianos, categorizando-os por recursos renovadores. Toda questão embaraçosa nos é apresentada qual se a vida nos propusesse um enigma. Aceitemo-lo calmamente e vejamos como aproveitá-lo.

Brilhe vossa luz


Meu amigo, no vasto caminho da Terra, cada criatura procura o alimento espiritual que lhe corresponde a posição evolutiva.

A abelha suga a flor, o abutre reclama despojos, o homem busca emoções. Mas ainda mesmo no terreno das emoções, cada espírito exige tipos especiais.

Há sofredores inveterados que outra coisa não demandam além do sofrimento, pessimistas que se enclausuram em nuvens negras, atendendo a propósito deliberado, durante séculos. Suprem a mente de torturas contínuas e não pretendem construir senão a piedade alheia, sob a qual se comprazem.

Diferenças



Nas variadas escolas do Cristianismo, vemos milhares de pessoas que, de alguma sorte, se ligam ao Mestre e Senhor.

Há corações que se desfazem nos louvores ao Grande Médico, exaltando-lhe a intercessão divina nos acontecimentos em que se reconheceram favorecidos, mas não passam das afirmativas espetaculares, qual se vivessem indefinidamente mergulhados em maravilhosas visões.

São os simplesmente beneficiários e sonhadores.

Há temperamentos ardorosos que impressionam da tribuna, através de preleções eruditas e comoventes, em que relacionam a posição do Grande Renovador, na religião, na filosofia e na história, não avançando, contudo, além dos discursos preciosos.

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