Fé, esperança, consolação



Quando a velhice gelada avança, colocando seu estigma sobre nossa testa, apagando nossos olhos, enrijecendo nossos membros, curvando-nos sob nosso peso, vêm então com ela a tristeza, o desgosto de tudo e a grande sensação de fadiga, uma necessidade de repouso, como uma sede do nada. Oh! Nessa hora de perturbação, nesse crepúsculo da vida, como satisfaz e reconforta, a pequena luz que brilha na alma do crente, a fé no futuro infinito, a fé na Justiça, na Suprema Bondade!

Compenetrados da ideia de que essa vida não é senão um instante no conjunto da nossa existência imortal, aceitamos com paciência os males inevitáveis que ela engendra. A perspectiva dos tempos que se nos abrem, dar-nos-á o poder de dominar as misérias presentes e de nos colocar acima das flutuações da fortuna. Sentir-nos-emos mais livres, mais bem armados para a luta. Conhecendo a causa dos seus males, o espírita compreende a necessidade deles. Sabe que o sofrimento é legítimo e aceita-o sem murmurar. Para ele, a morte nada destrói, os laços afetivos persistem na vida de além-túmulo, e todos aqueles que aqui se amaram, reencontram-se, libertos das misérias terrestres, longe dessa dura morada; só há separação para os maus. Dessas convicções resultam consolações desconhecidas dos indiferentes e dos céticos. Se, de uma extremidade à outra do globo, todas as almas se comunicassem nessa fé poderosa, assistir-se-ia à maior transformação moral que a História jamais registrou.


Do livro: Depois da Morte. CELD.

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