A Prece



“Meu Deus, tu que és grande, tu que és tudo, deixa cair sobre mim, pequeno, sobre mim que só existo porque tu o quiseste, um raio de luz. Faz com que, invadido pelo teu amor, eu ache o bem fácil, o mal odioso; que animado pelo desejo de agradar-te, meu espírito supere os obstáculos que se opõem ao triunfo da verdade sobre o erro, da fraternidade sobre o egoísmo; faz com que, em cada companheiro de provação, eu veja um irmão, como tu vês um filho em cada um dos seres que emanam de ti e devem retornar a ti. Dá-me o amor pelo trabalho, que é o dever de todos na Terra e, com a ajuda da tocha que colocaste ao meu alcance, esclarece-me sobre as imperfeições que retardam meu adiantamento nessa vida e na outra.”

Unamos nossas vozes às vozes do Infinito. Tudo ora, tudo celebra a alegria de viver, desde o átomo que se agita na luz, até o astro imenso que nada no éter. A adoração dos seres forma um prodigioso concerto que preenche o Espaço e sobe a Deus. É a salvação dos filhos pelo seu Pai, a homenagem feita pelas criaturas ao Criador. Interroguem a Natureza no esplendor dos dias ensolarados, na calma das noites estreladas. Ouçam a grande voz dos oceanos, os murmúrios que se elevam no meio dos desertos e na profundeza dos bosques, as vozes misteriosas que sussurram na folhagem, repercutem nas gargantas solitárias, exalam-se das planícies dos valezinhos, atravessam as alturas, estendem-se em todo o Universo. Em toda a parte, ao se recolherem, ouvirão o admirável cântico que a Terra dirige à grande Alma. Mais solene ainda é a prece dos mundos, o canto grave e profundo que faz vibrar a imensidade, e que só os espíritos compreendem o sentido sublime.


Do livro: Depois da Morte

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