Flexibilidade Mediúnica



(...) Cada tipo de mediunidade cumpre com uma finalidade de suma importância no contexto geral do intercâmbio com o invisível.

Existem espíritos para todas as espécies de médiuns, e vice-versa. Com o propósito de aperfeiçoar-se, a medicina do mundo, subdivide- se em n especialidades; nenhum médico é menos importante do que o outro para a saúde do paciente, porque todos os órgãos coexistem em equilíbrio. Tratar de uma infecção ocular é tão indispensável quando combater a hipertensão arterial.

Assim como, depois de formados, os médicos procuram aprofundar os seus estudos na especialização, os médiuns, uma vez identificado a sua “tendência mediúnica”, devem se concentrar sobre ela, buscando desenvolvê-la ao ponto que lhes seja possível.

Médiuns existem que serão excelentes “passistas”, mas talvez limitados oradores; outros talvez sejam bons oradores, mas deixarão a desejar como psicógrafos...

Neste capítulo, ainda carecemos considerar as importantes palavras de Kardec: “Fora das causas de aptidão, os espíritos se comunicam mais ou menos voluntariamente por tal ou qual intermediário, segundo suas simpatias; assim em condições iguais, o mesmo espírito será sempre mais explícito com certos médiuns, unicamente porque melhor lhes convém.”

Às vezes, sobre determinado assunto, o mesmo espírito, dependendo do seu grau de simpatia entre dois ou mais médiuns, pode expressar-se de maneira diferente, dizendo a um o que não confia a outro. Este é um aspecto de suma relevância no estudo da mediunidade.

Por exemplo, se entre nós eu e o médium de que me valho neste trabalho, não houvesse um clima de confiança recíproca, o bom senso me levaria a não abordar determinados temas porque, inclusive poderia a vir a prejudicá-lo, mas como percebo sua boa intenção em servir aos propósitos da Doutrina Espírita, escrevo sem maiores precauções. Isto pode vir a não ser sempre assim, porque os espíritos sérios – e tenho me esforçado para ser um deles, se afastam dos médiuns que perdem a seriedade.

Em meu caso específico, que sempre fui um afeccionado no estudo da mediunidade, encontrei neste companheiro o mesmo gosto pelo assunto, permitindo-nos desenvolver o tema em que buscamos nos “especializar”, embora nos reconheçamos meros aprendizes; e tanto é assim que temos constantemente aberto sob as nossas vistas o livro dos médiuns que consultamos em conjunto sempre que necessário...

Se nem todo medianeiro se presta a exercer todos os tipos de mediunidade, nem todos os espíritos se revelam aptos ao manejo de todas as espécies de mediunidade, porque entre nós, os desencarnados, também existe a “especialização”.

Um espírito pintor, por exemplo, também carecerá de encontrar um médium com semelhante predisposição mediúnica.

Para o espírito, se assim podemos nos expressar, o médium ideal é sempre um “achado” que, enquanto pode, ele procura preservar em nome do Senhor.

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Do livro: Mediunidade e Evangelho - FEB
Psicografia: Carlos A. Baccelli

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