Educando o espírito



A tarefa de educar é de capital importância. Fecunda-se o bem, no mais íntimo de cada ser sob a nossa responsabilidade.

Manter a mente aberta para ouvirmos os mais experientes, que militam no campo da educação é abrir o coração para atender a demanda que Jesus nos ensinou, sem perder de vista que o outro é um espírito que tem suas necessidades e desejos.

A atenção às necessidades desse público é imprescindível, mas não basta ver e sim atuar junto a eles de forma empática, ouvindo-os, respeitando-os, atendendo-os em suas colocações, esclarecendo sempre e direcionando o seu olhar para um pensar equilibrado e de construção de si mesmo.

Léon Denis nos aconselha a examinar o que vai em nossas mentes e na mente das crianças, recomendando-as ao aprendizado do governar-se, por isso não bastará dar-lhes as informações técnicas e informativas.

No momento atual encontramos pequenos e jovens seres que, muitas vezes nos bate à porta, e todos os dias chegam cheios de ideias, vontade de crescer, conhecer mais, criar, projetar; mas carentes de atenção, de respeito, de reconhecimento de seus potenciais e de amorosidade.

A Lei de progresso nos conduz às conquistas do que queremos tornar real, somos sabedores disso, e é no exercício da observação interna e da aplicação de nossa criatividade, com coragem de mostrar-nos, exemplificando e criando ao redor oportunidades para os outros, que ela se propaga. Todos têm o direito de fazer suas escolhas; e se ontem, sabendo ou não, fizemos as nossas, com ou sem orientação, somos hoje representantes de tantos outros. Olhar atentamente para si mesmo e descobrir por onde se deseja caminhar é o grande passo a dar, respeitando os neófitos que querem exercer igualmente seu livre arbítrio.

Vivemos tempos sombrios, que nos conduzem muitas vezes a andar em círculos, mas o que deve direcionar a nossa escolha, se entre as sombras ou as luzes é justamente orientando-se e caminhar olhando para cada passo dado, com vista ao melhor, baseando-nos em conceitos da lei divina, só assim seremos modelos do agora que se refletirá no nosso amanhã e daqueles cujos passos conduzimos. Cresceremos à medida que aprendermos a fazer, pois quanto seres imortais, naturalmente buscamos distinguir como se processa o desejar do conjunto, ensaiando assim o amor.

Segundo teóricos da educação é necessário apurar os ouvidos e abrir os olhos para a observação atenta e assim ser capaz de orientar as crianças, que têm sua assimilação facilitada por repetirem informações visualizadas.

Conforme o suíço Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827), o amor deflagra o processo de autoeducação.

Aquele que tem prazer e objetivos firmes em atender a demanda de pequeninos percebe o valor dessa máxima, porque põe em prática, exatamente no exercício em conjunto, sempre examinando-se. Só se educa o outro quando somos o facilitador da autoeducação.

O fazer é com certeza a nossa melhor qualificação, não são apenas as habilidades intelectuais que nos dão o fundamento para atuar de forma eficaz, mas sim a reunião do conhecimento às experiências observadas, e ao respeito com o aprendente que fornecerá os dados a serem estruturados para a aplicação do desenvolvimento da tarefa e gerar prazer em todos, a quem dá e a quem recebe.

Vinicius destaca no capítulo 8 do livro “O Mestre na Educação” o seguinte:

“O maior bem que se pode fazer ao homem é educá-lo. Os educadores, cientes e conscientes de seu papel, são os verdadeiros benfeitores da humanidade... Tal a missão do Cristo de Deus neste mundo.”

Diante do exposto, pensemos nesta tarefa com muita atenção e sobre a maneira de ensinar exemplificada pelo mestre Jesus, que amorosamente promovia o desenvolvimento de cada criatura, ciente do potencial interno de que eram portadores.   

Educar o Espírito é em si mesmo a atividade que promove que cada qual use suas forças e bagagens de maneira a alicerçar-se para a formação de seres, que seguros e apoiados no bem e no amor, segue em busca de seu melhor.

O autor do livro: Educação do Espírito, Walter de Oliveira Alves, pontua que “esta educação, a verdadeira educação, a educação por excelência, é a educação que olha o homem como ser integral, como Espírito eterno, criado para a perfeição”. 

E Alan Kardec, em Obras Póstumas anotou: “É pela Educação, mais do que pela instrução , que se transformará a humanidade”. O que corrobora com a colocação de Léon Denis acerca a necessidade e promoção do autogoverno da criança ser bem maior que apenas instruir.

A Educação do Espírito é a mola propulsora para o salto qualitativo de uma sociedade melhor.

A importância do papel de cada um de nós, no processo educativo de espíritos chegados recentemente à vida terrena deve ser permeada por tais reflexões.

Sem perder de vista a noção de que não sabemos tudo acerca do tema e de que precisamos manter o foco sobre o nosso próprio pensar, como nos ensina nosso grande amigo Léon Denis, busquemos então a atualização e o aperfeiçoamento constantes para a vida educativa.

A manutenção do pensamento focado na atividade de educar terá como base sempre a observação interior, para que no repasse do conteúdo aos jovens indivíduos, não sejamos um mero repetidor de frases prontas, que eles, com certeza percebem não ter fundamento.

Promover e facilitar o entendimento do público infantojuvenil deve acontecer sem esmorecimento, pois os desafios são enormes, mas usando os recursos apropriados aos desejos deles, mantendo-os interessados, será o principal objetivo alcançado, que é a Educação do Espírito.


Autor: Magdala Monteiro


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