“Na vida comum, todos praticamos
espontaneamente a sugestão, em que a obediência maquinal se gradua, em cada um
de nós, através de vários graus de rendição à influência alheia.” (André Luiz –
Mecanismos da Mediunidade, cap. 16)
Encontramos no versículo quarenta e um do capítulo vinte e seis do evangelho de Mateus, a advertência “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação” exarada por Nosso Senhor Jesus Cristo, que acaba por dizer que a carne é fraca, e Allan Kardec, no capítulo sete de O Céu e o Inferno, raciocinando a respeito observa que “A carne só é fraca porque o Espírito é fraco… A carne, destituída de pensamento e vontade, não pode prevalecer jamais sobre o Espírito, que é o ser pensante e de vontade própria”.
A repetição muitas vezes nos levam ao automatismo comportamental, e com
isso não observamos as sugestões que nos alcançam, direta ou indiretamente,
provenientes de encarnados e desencarnados, e sem a prática dos ensinos do
Senhor Jesus nos tornamos “presas” fáceis às ideias sugeridas.
Podemos raciocinar sobre três condições sugestionantes.
A primeira delas é o comércio
material. Como estamos vivendo a fase de encarnados temos naturalmente de nos
relacionarmos com o que é material, incluindo aí a posse, e no tocante a
satisfação de nossas necessidades, fictícias ou verdadeiras, precisamos
adquirir bens de consumo, e quem produz bens de consumo utiliza-se de
propagandas para nos convencer a adquiri-los e as propagandas carregam em si o
poder de alterar nossos comportamentos. Não se tem notícias de que alguém
anuncie os aspectos ruins ou perniciosos de seu produto. Ao contrário, procuram
mostrar sempre aspectos positivos, nem sempre verdadeiros, para nos fazerem
comprar. Comparam-nos com outras pessoas que já teriam o que querem nos vender,
induzindo-nos pelo orgulho e vaidade a um processo de competição inconsciente,
ou nos mostram uma felicidade que só existirá se adquirirmos o produto
anunciado. Chegam a anunciar o mesmo produto, agora com nova embalagem,
forçando-nos a acreditar que estamos desatualizados com a modernidade ou com os
novos tempos se não os adquirirmos.
Os espíritos da Codificação nos
esclarecem que a felicidade possível na Terra está diretamente relacionada com
a posse do necessário, e se torna fácil entender que quando adquirimos mais do
que conseguimos pagar diminuímos o bem estar nosso e dos que estão sob nossa
dependência financeira, sem contar os problemas relacionados aos órgãos
fiscalizadores do crédito financeiro.
A segunda condição é o direcionamento
que dão às nossas vidas aqueles que elegemos como ídolos ou modelos
comportamentais, que seguimos sem análise, e se o que é considerado comum e
normal por eles está de acordo com as leis naturais.
Como são personalidades proeminentes,
frequentemente são parceiros comerciais dos fornecedores de serviços e
produtos, a altos custos, porque carregam em si grande poder de influenciação
junto à massa humana, levando-nos ao consumo compulsório, quando na maioria das
vezes sequer utilizam o que anunciam, ou se o fazem é em função de contrato
comercial.
Por causa do sucesso financeiro ou
midiático que alcançaram passam a ser seguidos nos modismos que lançam,
incluindo aí, entre outras coisas, roupas, adereços, calçados e penteados, e o
que é pior, comportamentos infelizes que acabam por induzir os invigilantes a
comportamentos surreais e prejudiciais ao espírito imortal.
Disse Jesus que cegos que conduzem
cegos ambos caem no buraco, mostrando-nos a necessidade de observarmos a quem
seguimos, e a Doutrina Espírita nos anuncia que o Guia e Modelo ideal para
nossos espíritos em evolução é justamente Jesus, que nos deixou todas as
recomendações necessárias para alcançarmos a felicidade.
Por último, não podemos nos esquecer
da influência que os espíritos desencarnados podem desenvolver. Os Benfeitores
espirituais nos esclarecem que o mecanismo das sugestões espirituais se
estabelece em função dos pensamentos e vontades que povoam nosso mundo íntimo,
criadas ou assimiladas por nós, chegando ao ponto de nos dirigirem na maior
parte do tempo. Quanto mais próximas às satisfações do orgulho, vaidade e
egoísmo, mais inferiores moralmente serão os espíritos a nos sugestionarem,
levando-nos à fascinação e a processos obsessivos de longa duração e de difícil
solução.
Experimentai se os espíritos são de
Deus, disse Jesus, indicando-nos que os espíritos superiores jamais nos induzem
a situações que nos mantenham no atraso ou nos prejudicariam, ao contrário,
sugerem sempre comportamentos baseados nas orientações do evangelho, o que não
se dá com os espíritos menos evoluídos, em particular os que tem algum
interesse menos feliz em nossas vidas.
O Benfeitor André Luiz, na observação
acima, nos mostra a ideia contida no vigiai e orai de Jesus, atendendo também a
profecia do Mestre quanto ao Consolador, de que quando este chegasse seríamos
esclarecidos sobre todas as coisas e nos faria lembrar daquilo que Ele disse, e
mais, em conhecendo a verdade, esta nos faria livres. Neste caso, livres das
sugestões infelizes que nos causam dores e sofrimentos, e da corrigenda dos
prejuízos causados ou na retomada do caminho estreito que leva à perfeição.
Pensemos nisso.
Autor: Antônio Carlos Navarro

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