Em O Livro dos Espíritos, na questão setecentos e dezenove, o Codificador demanda aos espíritos superiores: “É condenável ao homem procurar o seu bem-estar? E os benfeitores invisíveis respondem: O bem-estar é um desejo natural. Os abusos são condenáveis porque contrariam a lei de conservação. O bem-estar é condenável se foi adquirido à custa dos outros e se comprometeu o equilíbrio moral e físico do homem“.
Podemos inferir que a busca pelo
nosso bem estar não é egoísmo, desde que se enquadre dentro de dois parâmetros.
O primeiro que podemos analisar é o equilíbrio no tocante ao corpo físico, em relação a lei de conservação. Tomemos um exemplo: para nos sentirmos bem será necessário nos alimentarmos, mas se o fizermos com excesso o organismo sofrerá as consequências, tirando-nos o bem-estar físico, e seguindo a mesma linha de raciocínio, qualquer viciação material redundará em desajuste provocando mal-estar.
Qualquer excesso cometido compromete
seu funcionamento e impacta no tempo de sua existência, que foi programado
segundo nossas necessidades reencarnatórias, e uma vez encurtado pela
satisfação da viciação comete-se o que os espíritos chamam de suicídio
indireto, ficando o espírito devendo para a economia divina o tempo de vida que
deixou de ser cumprido.
Nesse caso, se o espírito não tem sua
cota de “amor que cobre uma multidão de pecados”, terá que vivenciar o tempo
que não foi vivido em uma outra encarnação, para quitar-se com a Justiça Maior.
É o que aprendemos com a resposta dada à questão cento e noventa e nove de O
Livro dos Espíritos, onde o Codificador questiona sobre o porquê da morte
precoce na terra.
O segundo aspecto a ser analisado, é
o bem-estar moral. É bastante comum exigirmos esforços alheios, em todos os
sentidos, para que nos sintamos bem, para atendimento de nossas necessidades
físicas, psicológicas ou emocionais, sem levar em conta o quanto as pessoas
terão que se esforçar para nos satisfazer, e com isso ferimos suas
características pessoais, tirando deles o bem-estar que lhes pertence,
produzindo prejuízos de toda sorte, que também são englobados pela lei de ação
e reação que, inexoravelmente, nos cobrará a dívida em tempo oportuno.
A solução está em trabalharmos nossos
valores para erradicarmos do nosso espírito o orgulho e o egoísmo, aprendendo a
servir antes de ser servido, como orientou Nosso Senhor Jesus Cristo,
enfatizando que dar-se é prova de amor, e o amor é a essência da lei de Deus,
que por sua vez está inscrita dentro da nossa própria consciência, e esta se tranquilizará
a medida em que nos aprofundarmos na corrigenda e prática do bem, produzindo um
sentimento verdadeiro e justo de bem-estar, que nada mais é do que aquilo que
chamamos felicidade.
Pensemos nisso.
Autor: Antônio Carlos Navarro

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