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| A Revelação pela dor |
Tudo o que vive, cá embaixo, sofre: a Natureza, o animal, o homem.
E, no entanto, o amor é a lei do Universo e foi por amor que
Deus formou os seres. Aparentemente, uma contradição formidável, um problema angustiante, que tem perturbado tantos pensadores e os tem levado à dúvida e ao pessimismo!
O animal está sujeito à luta ardente pela vida. Por entre a relva do prado, sob a folhagem e os ramos dos bosques, na amplidão do Espaço, nas águas profundas, em toda parte, processam-se dramas ignorados.
Em nossas cidades, prossegue, incessantemente, a hecatombe de pobres animais inofensivos, sacrificados por nossas necessidades ou entregues, nos laboratórios, ao suplício da vivisseção.
Quanto à Humanidade, sua História não é senão um longo martirológio.
Através dos tempos, para além dos séculos, ecoa a triste cantilena dos sofrimentos humanos; o lamento dos infelizes eleva-se, com uma intensidade cortante, regular como uma onda.
A dor segue todos os nossos passos; espreita-nos, a cada curva do caminho. E, diante desta esfinge que o fita com seu estranho olhar, o homem se faz a eterna pergunta: Por que a dor?
Será que ela é, no que lhe diz respeito, uma punição, uma expiação, como alguns o dizem? Será a reparação do passado, o resgate das faltas cometidas?
No fundo, a dor é apenas uma lei de equilíbrio e educação. Sem dúvida, os erros do passado recaem sobre nós, com todo o seu peso e determinam as condições de nosso destino. Com frequência, o sofrimento é só o contragolpe das violações cometidas contra a ordem eterna; mas, sendo o legado de todos, deve ser considerado como uma necessidade de ordem geral, como um agente de desenvolvimento, uma condição do progresso. Todos os seres devem experimentá-lo, por sua vez. Sua ação é benfazeja, para quem sabe compreendê-lo.
Porém, só podem compreendê-lo aqueles que sentiram seus efeitos poderosos.
É principalmente a estes que dirijo estas páginas; a todos os que sofrem, sofreram ou merecem sofrer!
Autor: Léon Denis
Do livro: Problema do Ser e do Destino, cap. XXVI

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